quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Vilavelhando #1

Olá. Este sou eu, postando fotos da minha terrinha. A cidade onde eu humildemente resido é a ilustre Vila Velha, no igualmente ilustre estado do Espírito Santo.



Terceira Ponte vista do Morro do Moreno




C'est moi! (Et les ignobles)


Pedra do Sapo. Ou só eu que acho que aquilo parece um sapo?.


(Les ignobles)


Barraquinha na Praia da Costa



quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Super Homem Macaco World

Esses dias resolvi terminar um projeto besta que comecei. Um jogo sobre uma das maiores lendas da interwebs brasileiras, o Homem Macaco.

A história do jogo é basicamente esta:


O Homem Macaco!

Muitos ouviram falar do misterioso 
"Rap do Homem Macaco (Sem Alma e Sem 
Coração)". Mas poucos sabem que esse 
rap na verdade fala do sistema e do 
capitalismo selvagem! 

Composto pelo grande poeta e skatista
Chorão, esse rap fala do sistema 
que não nos permite ser quem somos! 
Ainda que voce fuja para a 
floresta, para viver das coisas que a 
natureza dá, no meio dos animais e 
das ervas, o sistema o perseguirá!!! 
Se olhar para trás, lá estará ele 
gritando bolado, para pegar, 
rasgar e matar!!! 

Vamos acompanhar a jornada do Homem 
Macaco, enquanto ele espalha opressão 
contra os pobres, os jovens 
sonhadores, os indígenas e muçulmanos 
com sua mala cheia de dinheiro sujo!!!


Para quem quiser conferir esse maravilhoso monumento a arte moderna dos games politicamente engajados, aí embaixo estão os links para download. Divirta-se:





(Créditos a Matheus Bonela, que participou da criação, e claro, ao pessoal que fez o Supertux, que na realidade é a base do jogo. Nós só mudamos os sprites, as imagens e os sons.)


sábado, 6 de agosto de 2016

Escolha de Música para a Abertura dos Jogos Rio 2016


Texto escrito para o site Lullavie, traduzido e adaptado.

Foto: Marco Djurica/Reuters
Os artistas e músicas escolhidas para a abertura das Olimpíadas Rio 2016 foram extraordinários. Essa boa escolha contribuiu para o charme do espetáculo, apesar da dúvida que pairava sobre o sucesso da cerimônia de abertura; o cenário complicado dentro do Brasil justificava essa hesitação.

Acredito que a música foi o destaque da cerimônia; grandes clássicos foram tocados, como Garota de Ipanema e Aquarela do Brasil. No entanto, como um brasileiro que ama música, é difícil de não pensar na relevância da música brasileira para o resto do mundo. Atualmente, não é muita essa relevância, mas no passado — especialmente nos anos 60 — o Brasil era um ponto luminoso de boa música. Tom Jobim tomou o mundo de assalto com a sua Garota de Ipanema, fazendo conhecida de todos a mistura entre samba e jazz conhecida como bossa nova. Outros nomes como Carmen Miranda, Ary Barroso e Mutantes também se tornaram conhecidos do grande público.



O fato que a música brasileira perdeu uma grande parte da sua força é notório na cerimônia de abertura do Rio 2016. Esses grandes clássicos do passado foram os destaques, não as músicas mais recentes. No entanto, isso não significa que não haja boa música e bons músicos no Brasil na atualidade. Se você quiser aproveitar o embalo das Olimpíadas e ouvir a algumas músicas do Brasil, aqui estão minhas recomendações.




Seu Jorge: Se você deseja algo tipicamente brasileiro, Seu Jorge tem brasilidade de sobra. Eu recomendo o álbum Músicas Para Churrasco; se você deseja algo mais familiar, eu recomendo The Life Aquatic Sessions, o qual é o meu álbum favorito dele, uma maravilhosa reinterpretação de algumas das melhores músicas de David Bowie.



Maria Gadú: Ela é do tipo de artista que lida tão bem com música nova quanto velha. Ela tem tem muitas músicas em colaboração com os dinossauros da música brasileiras, como Caetano Veloso e Gilberto Gil (ambos presentes na cerimônia de abertura de Rio 2016, na qual eles cantaram Isto Aqui, O Que É?). Por fim, eu recomendo ouvir o primeiro álbum dela, conhecido por Shimbalaiê.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Pondo a casa em ordem


Quanto mais as coisas estão desorganizadas, menos eu tenho vontade de organizá-las. É uma característica minha. No entanto, eu sei o quanto essa característica me faz mal. Enfim, estou tentando pôr a casa em ordem, em muitos sentidos. E a casa inclui também este pequeno blog.

Fato aleatório: hoje mais cedo, pedalando na praia, pensando em nada importante, me dei conta do quanto eu costumo ser fiel as minhas rotinas: de pedalar ou correr na praia, por exemplo. Talvez algum dia eu ser tão disciplinado com a minha vida quanto eu sou com a minha saúde hoje em dia. Talvez.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Delírios e Devaneios #6: Massa de Manobra


Acabei de ver que o Conselho de Ética aprovou o parecer pela cassação do mandato de Eduardo Cunha. Isso me fez lembrar de quantas vezes eu me questionei se todas as manifestações anti-corrupção não eram só massa de manobra para trocar o partido no poder, e que nada de fato mudaria. O partido no poder de fato mudou interinamente, mas a Lava-Jato não parou e o primeiro grande passo foi dado para a queda de Eduardo Cunha.

Fez-me também lembrar que eu fui a manifestação (pro-impeachment) do dia 16/04, a única que eu me dignei a ir. Sabe Deus o quanto eu detesto carros de som e palavras de ordem, mas fui. Em parte porque eu queria ter participado disso tudo ao menos uma vez, em parte porque eu queria subir a Terceira Ponte a pé, coisa que eu nunca tinha feito.

Continuo sendo um cético quanto a política. Porém penso que vale a pena ter esperança de que as coisas podem mudar no Brasil, ainda que a muito custo, ainda que a mudança provoque instabilidade. As manifestações de insatisfação do povo brasileiro têm colhido bons resultados, e não vejo motivos para ter vergonha de ter sido parte pequena delas. E, de lambuja, ainda consegui uma foto quase decente na Terceira Ponte.



sábado, 7 de maio de 2016

Delírios e Devaneios #5: Cultivando Inimigos


A cada dia uma coisa fica mais clara para mim: as pessoas gostam de ter inimigos, e brigam mais pela briga do que para resolver problemas.

Essas afirmações valem pra um monte de assuntos: futebol e religião, por exemplo. Escolher um lado e cultivar inimigos proporciona um sentimento legal, um senso de solidariedade com os seus aliados. Se os dois lados do combate conversarem sobre os problemas, encontrarem respostas e tudo ficar explicado, então perde-se a noção de lado. Perdem-se os aliados, os inimigos, além de perder-se a própria identidade.

Também se nota o mesmo padrão na política. O seguidor de Bolsonaro não quer saber se o bandido tem o seu ponto de vista e que a desigualdade é a maior responsável pelo crime; bandido bom é bandido morto. O petista não quer saber as razões pelo impeachment, ou o porquê da Dilma ter cometido crime de responsabilidade: impeachment é golpe, golpistas não passarão. As feministas radicais, as viúvas da ditadura, os anticristãos, os revolucionários, nenhum deles quer ser esclarecido.

O velho que existe em mim culpa a internet e as mídias sociais por isso. A internet é o lugar perfeito para se encontrar um barril para si mesmo e ficar sentado lá dentro, ouvindo e lendo somente as opiniões que lhes são agradáveis. (Tem mais: a internet também nos torna mais agressivos quanto aos assuntos, já que não precisamos olhar nossos oponentes nos olhos, tête à tête. É bem como mostra o velho gif abaixo.)




terça-feira, 7 de abril de 2015

Delírios e Devaneios #4: Desonestidade Intelectual


A morte do menino Eduardo de Jesus me pôs a pensar sobre algumas coisas. (Para quem está por fora do assunto, link aqui.) 


Eduardo de Jesus (foto da TV Globo)

Em geral não me sensibilizo muito com essas mortes horríveis que ocorrem com pessoas que não conheço. A Internet, com todo o seu drama excessivo, me tornou ainda mais insensível perante essas atrocidades. Posso estar errado — provavelmente estou, sendo cristão eu não tenho o luxo de ser insensível com a dor alheia —, mas é fácil mudar o jeito que nos sentimos perante uma dada situação. Ainda assim, a morte dele me fez pensar sobre violência policial, algo que eu nunca experimentei em primeira pessoa.

A violência policial é uma realidade, não há como negar. É uma realidade um tanto mais cruel com o pobre, também não há como negar. O problema para mim é, como tem sido em quase tudo que concerne política ultimamente, a parcialidade e o partidarismo com que se aborda a questão. Em nome de uma posição política, certas pessoas acham por bem ignorar o bom-senso enquanto transformam a realidade em um panfleto das suas ideias e gritam palavras de ordem — e isso vale para os dois lados, tanto do lado que diz que "bandido bom é bandido morto" quanto para o lado que diz que a PM é inimiga do negro, do pobre e do excluído.





O vídeo acima está editado (a outra parte dele pode ser encontrada neste link), cortado exatamente para ocultar o porquê da ação policial, e fazê-lo parecer truculento. É o tipo de fomento à propaganda de esquerda que desmoraliza o policial, em oposição aos setores da direita que o exaltam.

Isso se chama maniqueísmo. Essa mania de representar um lado do mundo como mauzão, e o outro lado como bonzinho ou virtuoso ou vítima. O maniqueísmo era uma corrente religiosa, o que quer dizer que estamos demonizando um dos lados: ou o lado do bandido, ou o lado do policial.

Eu francamente acho que não; acho muito mais saudável encarar os fatos pelo que eles são.


  1. A polícia é mais truculenta com o pobre do que com o rico, isso é o óbvio ululante. Impossível negar como o dinheiro e o poder influenciam nas relações sociais. A questão racial é importante, mas é meramente acessória a questão social; o motoqueiro do vídeo acima era branco, por sinal.
  2. As manifestações do dia 15/03 exaltavam o papel a polícia, enquanto a manifestação no Complexo do Alemão hostilizava a polícia, por motivos mais que óbvios.
  3. O excesso polícial, como visto no vídeo, é algo a se repudiar, independente do que o motoqueiro fez. A atitude do motoqueiro também é algo a se repudiar, passando em alta velocidade no meio de uma passarela, arriscando a vida dos pedestres e a própria, além de aparentemente tentar evadir-se da polícia.
  4. Policiais militares são pessoas também, com suas razões e emoções. Estão acostumados a atuar em lugares nos quais o crime e a vida cotidiana estão visceralmente ligados; estão acostumados a ordem, a imposição de autoridades e a carteiradas; são também, em sua maioria, pobres; eles definitivamente não são os vilões dessa história.

Enfim, nesses tempos de partidarização de quase tudo, um pouco de honestidade intelectual faz muita, MUITA falta.